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Filho de diarista, jovem surdo passa em 1º em Educação Física: 'Minha mãe sempre acreditou'
Educação

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Carlos Daniel ingressou na Universidade Estadual de Maringá (UEM); ele é filho da diarista Nilceia Caetano Prado

Carlos Daniel ingressou na Universidade Estadual de Maringá (UEM); ele é filho da diarista Nilceia Caetano Prado

Foto: Arquivo pessoal

Aos 18 anos, Carlos Daniel Caetano Prado celebra uma conquista histórica para si e para a sua família: ele foi aprovado em 1º lugar no curso de Educação Física pelo programa Aprova Paraná Universidades, pelas vagas reservadas a cotas raciais, e ingressou na , no campus de . Com deficiência auditiva, o paranaense é o primeiro dos familiares a entrar no ensino superior. 

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"Me senti honrado e muito feliz por essa oportunidade", diz o jovem sobre a aprovação. Ele lembra que, quando viu o resultado pela página da universidade, ficou muito surpreso e ficou encarando a tela com o seu nome na lista de aprovados.

Filho da diarista Nilceia Caetano Prado, 50 anos, Carlos nasceu e cresceu em Ivaiporã, cidade de 33 mil habitantes no Vale do Ivaí, no Paraná. Ele, que mora com a mãe, é o mais novo de cinco irmãos. O pai é profissional autônomo. O jovem destaca o apoio da família para alcançar esse sonho.

"Minha mãe sempre diz que Deus prepara todo o caminho de sucesso para nós, ela sempre acreditou que eu passaria, diz ela que sou um menino inteligente, foi fundamental para minha trajetória", afirma.  

Vida acadêmica desafiadora

Carlos conta que a deficiência auditiva está presente desde o nascimento. "É parcial, foi bem ruim escutar um pouco, mas, com o aparelho, isso ajudou um pouco". Sua primeira língua é a oral, mas ele também se comunica por Língua Brasileira de Sinais (Libras) e com apoio de intérprete. "Eu me comunico por voz quando estou perto da pessoa", explica.

A trajetória escolar de Carlos foi repleta de desafios, uma vez que, até o quinto ano do ensino fundamental, ele não teve o suporte de um intérprete. A mudança veio ao chegar ao Colégio Estadual Barão do Cerro Azul, onde passou a contar com apoio adequado e inclusivo. Ali estudou do 6º ano até o ensino médio.

"Conheci a Libras, aprendi sinais na Escola Estadual Bento Mussurunga, e no 6° ano [no colégio Barão do Cerro Azul] tive meu primeiro intérprete, e aí só foi para frente", recorda o jovem. "Ter apoio me ajudou muito, pois não entendia muito o que as pessoas falavam de longe ou não conseguia interpretar a frase. Libras ajudou meu desenvolvimento escolar", acrescenta.

Carlos ainda é uma pessoa com altas habilidades, ou seja, superdotado. "Os professores viram minha habilidade de aprender rápido demais, em Português e Matemática, e eu ajudava os colegas com dúvidas nas perguntas e a resolver os problemas matemáticos", comenta. 

Carlos Daniel Caetano Prado foi aprovado em 1º lugar no curso de Educação Física pelo programa Aprova Paraná Universidades

Carlos Daniel Caetano Prado foi aprovado em 1º lugar no curso de Educação Física pelo programa Aprova Paraná Universidades

Foto: Arquivo pessoal

A aprovação no ensino superior

Com o sonho de entrar em uma universidade, Carlos montou uma rotina de estudos para as provas do Aprova Paraná, um programa do governo do Estado que oferece vagas nas sete universidades estaduais para alunos concluintes da rede pública de ensino, e foi se preparando ao longo dos anos. Ele diz que sempre quis saber como é estudar na UEM.  

"Os professores deram aulas e dicas para ir bem na prova, eu estudei e fiquei me preparando. Foi meio cansativo, estudava conteúdos que provavelmente iam cair na prova, estudava nos horários na escola e um pouco em casa", detalha. No dia do exame, ele teve o auxílio de um intérprete que traduzia os textos e as perguntas.

Carlos afirma que escolheu cursar Educação Física pois é uma área que sempre gostou e gostaria de trabalhar para ajudar outras Pessoas com Deficiência (PcD). As aulas dele inclusive já começaram desde março. "Meu sonho é ajudar as pessoas com adaptabilidade e saúde", ressalta.

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